Eu! Quem sou eu? Um ser humano, talvez? Posso ser apenas um sentimento vago no espaço, hospedado em uma matéria orgânica viva. Sei que não tem sentido nessas palavras, mas as palavras de um poeta jamais encontraram sentido no dicionário! Mas, espere, não sou poeta, então, posso ser um personagem de um texto escrito por um poeta de verdade e estou apenas escrevendo o que ele quer que eu escreva.
Não estou certo de nada disso, não estou certo se sou quem diz quem sou. Não quero aceitar, que não passo de nada, mas o que é o nada? Nesse momento, acredito que é ao nada que esse texto me levara, do nada eu vim, e ao nada eu irei. Esses sentimentos pulsantes, poderam um dia queimar num lago de enxofre, só por terem existido, e assim deixarem de existir, mas porque queimar algo que não causou mal a ninguém?
Quem sabe isso não passa de uma preferência desse poeta, que ao invés de amassar o papel que guarda uma historia que não o agradou e arremessa-la ao lixo ele prefira queimar? Tanto faz, se ele não queimar agora, os seus leitores queimaram quando lerem um pouco de mim.
Então se algum dia esse papel chegar há uma prateleira, quero pedir a vocês, caros leitores do Poeta, que leiam as entrelinhas, talvez você possa ter deixado alguma coisa passar em branco, e isso possa fazer toda a diferença no final deste texto, e essa diferença possa ser algo tão verdadeiro quanto esse Poeta, talvez seja o amor.
Eu encontrei o paraíso no fundo dos seus olhos, e deis de então, toda vez que eu te olho, eu me vejo flutuando no meio deste paraíso, onde só existe eu, você e a nossa música!
Eu peguei uma caneta e um papel, assim que as lagrimas começaram a brotar nos meus olhos, porque eu sei que com as lagrimas vem as palavras.
Estava muito escuro, não havia lua no céu, era apenas uma silhueta sobre a luz fraca e amarelada de um poste velho, e de longe eu vi aquela linda silhueta na luz fosca. Eu não precisava de mais nada, eu já havia percebido que era você, eu sempre soube te reconhecer, sua postura e seu perfume nunca me confundiu em meio a multidão. Em passos lentos, e silenciosos, respiração rápida e sem palavras, eu não sábia o que iria te dizer, nem mesmo se eu iria ter a chance de dizer, porque eu estava preste a desistir e sair correndo dali, sem olhar para trás. Eu poderia correr até não poder mais. Mas em vez de me desesperar mais com isso, me manti calmo e fui até você. E eu não disse nada apenas olhei para seu rosto que estava pouco iluminado, e fixei meus olhos nos seus e ali pude sentir tudo o que senti por você e lembrei porque eu te amei, e aquela sensação do dia que te conheci me volto a subir a cabeça. E então você, também não disse nada, apenas deu mais um passo a frente e colocou uma das mãos na minha cintura e a outra no meu pescoço, segurou firme e puxou meu rosto para perto do seu, ali ficamos por alguns segundos eu olhei para seus olhos e depois os levei até seus lábios e não pude deixar de deseja-los, mordi meu lábio, tentando segurar-me. E quando você se aproximou o suficiente para que meus lábios sentisse o calor dos seus lábios, que também estavam secos pelo frio que castigava aquela noite escura. Eu empurrei seu corpo para longe do meu, você deu alguns passos para trás o suficiente para sair do foco dá luz do poste, então não pude mais ver seu rosto, e assim foi que eu me virei e sai correndo para longe dali, longe de você. Não sabia o que pensar, não sabia porque tinha tido aquela reação tão derrepente, me vi perdido em pensamentos quando me dei conta que também tinha me perdido, já estava saindo da cidade quando apenas vi que tudo começou se clarear, e uma música começou a ser tocada na escuridão que me acompanhava e com seu volume a intensidade da luz também amentou, pus meu braço sobre meus olhos, porque a luz me cegava e então senti meu corpo livre no ar, e logo em seguida senti meu corpo entrar em atrito com algo áspero, era o asfalto, que feria meu corpo. Tudo se apagou. Quando acordei, não consegui abrir os olhos, apenas podia sentir que segurava algo, com força, e quando percebi, eu apertei com mais força, tentando me levantar, e nessa tentativa consegui abrir meus olhos, e vi uma silhueta, e logo que a visão se clareou, eu pude ver você do meu lado, segurando minha mão, com os olhos vermelhos, e as suas lagrimas escorriam por todo seu rosto até pingar no lençol branco que me cobria. Você deu um sorriso, e curvou se sobre mim, ainda chorando , disse em meu ouvido, “Eu quero você para sempre ao meu lado, você promete não fazer isso mais? E ficar do meu lado e nunca me deixar?” Em seguida me deu um beijo na testa e encostamos testa com testa e eu respondia com a voz falha apenas o que, minha força permitia “Eu te amo!” e quando ele começou a levantar o corpo para ficar em pé sorrindo e limpando as lagrimas, o quarto que me parecia de hospital, começou a escurecer e logo tudo sumiu, minha visão, minha audição, e por fim, minha respiração e você.
-Pecador.
Cabe só a mim sobreviver, ninguém mais precisa saber quantas hemorragias de emoções eu já tive e quantas vezes minha cama foi leito de morte para meus amores. O céu se escureceu, é uma chuva de palavras vindo, para fazer as lagrimas brotarem em meus olhos. Um terno de madeira envolve meus sentimentos, eu sou como uma alma que foge do purgatório, não querendo ver a verdade, a verdade que um dia te iludiu. Eu iludo, eu turvo a visão no espelho, me faço ver algo bom. Mas, de bondade, o mau se veste. Seria mas fácil se ver livre de mim, pois, não consigo me livrar dos fantasmas, que ainda me fazem sangrar sutilmente. Então, me deixe, deixe o mau escorrer para fora de mim, fazendo-me desaparecer por não ter nada além do que você precise.
Por alguma razão do que é oculto aos olhos. Eu continuo em pé, andando com a maldição de viver, sem se sentir vivo. Sou como a fênix que quando se acaba, se vê logo viva de novo para continuar, mesmo sem querer, presa em um ciclo de morte e vida, sem fim. Quem sabe não esteja tão longe do alcance dos olhos o verdadeiro motivo, da nossa alma ser feita de fogo, e que talvez, o olhar esteja embaçado de mais por causa das lagrimas, para poder enxergar. Esse maldito fogo, que parece ter vindo do inferno, que não se apaga nunca, e que queima qualquer coisa que se guarda nele. Não posso guardar você em minha alma, porque lá queima, e no coração o qual bate tão forte quando te vejo, que o fluxo de sangue poderá te afogar em tristeza. O mais seguro agora, é a distancia, a distancia que protege a criança do realidade. E que seja verdade, que há uma esperança, para os que acreditam que nunca tem fim, o que a vida juntou.
Por mais que a ignorância pareça ser sua melhor amiga, eu não vou desistir de te fazer feliz. Seja lá como você foi criado, ou instruído , eu também fui da mesma forma, mas hoje eu posso ver que todos os pontinhos de luz se conectam e formam um lindo arco íris. E eu quero compartilhar essa linda visão com você, você que até hoje só tem visto grades e selas. Segurar na sua mão e saber que não temos que trancar a porta com medo que venham atras de nós com tochas e pedras. Eu te escolhi porque pude ver que você é a exceção, entre as almas cinzentas sentadas nessa fileira de bancos de madeira. No seu silêncio eu posso ver que você clama por clemencia dos homens de terno e gravata. Mas, saiba que por mais diferentes que sejamos e que te dizem que não podemos ficar juntos, como a roupa branca e coloridas não possam ser misturadas na maquina de lavar, eu espero que você lembre que ninguém nunca soube te escultar e te entender e amar, como eu pude.
“Desista, você jamais conseguira, isso será um fracasso!”. Quantas vezes esse garoto ouviu isso? E quantas vezes ele acreditou nisso? Ele acreditou ser um fracasso, acreditou nas palavras dos fracos de alma. Porque fraca é a alma que não sonha. Seria justo um sonho acabar antes mesmo de se tentar, torna-lo realidade? Um sonho não deve morrer, assim como a alma não morre. Eu amo sonhar, porque sonhar, não envenena, não apodrece, não faz sofrer, não faz morrer, mas… faz querer continuar viver.
Está ai, o resultado desses anos, eu me motivei a amar pessoas erradas, e agora me motivo a não amar, seja quem for. Não estou pronto para amar ou seja com outras palavras, sofrer. Não há mais motivos para acreditar em promessas, que enchem os olhos das crianças de brilho, e que faz os adultos rirem dos esperançosos. Como posso acreditar em quem fez jura de amor, e não permaneceu comigo. Agora você está perdido, e longe o bastante para eu não ter ver mais, mas, ainda está perto o suficiente para que eu possa sentir seu perfume na brisa, brisa de lembranças, e quando se torna forte, quando a brisa se torna vento, corta minha alma, quando passa por mim, mas, também meche meu cabelo como você nunca fez. Brisa de lembrança, traz em meio as folhas, a poeira de um sonho que se despedaçou, que o tempo consumiu e está me consumindo.